Um tempo atrás fui à casa de uma amiga, pois combinados de tocar violão e cantar.
Era uma linda tarde de quinta-feira, daquelas que nos despertam a vontade de cantar uma bela canção. Mas havia um pequeno problema, o violão estava sem a corda Ré, o que não era um problema para mim, mas para minha amiga, inexplicavelmente, era um desastre.
Ela me disse que havia uma loja de instrumentos musicais perto da casa dela – já disse que essa amiga é mineira? – andamos mais ou menos 40 minutos até a loja, que na verdade, era uma escola de música que não vendia corda de violão.
Meu sexto sentido tinha me alertado, uns 20 minutos antes de chegarmos a Loja que não era loja, que algo estava estranho. Esse alerta ocorreu quando essa amiga (A mineira, sabe?) parou em frente a uma loja de sapatos e começou a apreciar um lindo, caro e último modelo de sapato que ali se encontrava. Detalhe: ela estava apenas com 10 reais e eu com cartão, sim, eu estava com cartão.
Após toda aquela admiração ao sapato, o longo papo com a vendedora e sorriso em dupla dirigido a mim. Continuamos nosso caminhar à loja.
Na volta, que era uma grande subida, a um quarteirão antes de chegar a loja de sapatos ela decide atravessar a rua. Eu não me lembrava que do outro lado era onde estava a loja de sapatos.
- Oi linda! Gritou a vendedora supracitada.
- Por favor, não me fale daquele sapato! – Disse a minha amiga, mas o tom da sua voz dizia o contrário.
- Consegui um SUPER desconto para você! Exclama a vendedora me olhando, enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
- Sabe o que é? Só tenho dez reais.
- Ué, será que seu amigo não pode fazer essa?
Surpreso eu digo:
- E, e, e… Eu?
- Sabe, esse é o último modelo e tem gente de olho nele, se eu não vender para ele agora (nessa hora eu ouvi: “pra você”) , receio que ela ficará sem ele. E ela gostou tanto! Dizia-me a vendedora enquanto minha amiga me dava aquele olhar do Gato de Botas.
Acreditem, após o golpe da bolsa que minha mãe aplicou em mim, recebi o golpe do sapato.
#cidofacts
Cido Menezes



